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Por Geovanna Tominaga

O INÍCIO

 

"A primeira vez que fiz um discurso de casamento foi de surpresa! Um momento tão marcante que os detalhes ficaram gravados em minha memória"

 

São Paulo . igreja . Fim de tarde . há alguns anos.

 

  Uma forte tempestade se formava sobre a cidade. As nuvens pretas como o carvão pesavam acima da igreja. No interior, o padre celebrava a cerimônia entoando cantos gregorianos. O cenário seria trágico se não fosse o casamento entre dois humoristas. Ela segurava a risada enquanto ele, concentrado, nem a olhava  para não soltar a gargalhada. 

 "Alguém gostaria de dizer algumas palavras pros noivos?", indagou o padre.

O silêncio pairou na nave. Como resposta, apenas os relâmpagos que penetraram a igreja como flashs curiosos através da cruz de vidro na parede atrás do altar. Dava pra ver as árvores dançando ao vento forte lá fora. Fiquei tão impressionada com a coreografia da natureza que nem percebi quando o microfone chegou a minhas mãos.

"Eu?", pensei quase alto.

 Com tantos profissionais na arte de fazer rir  entre os convidados,  porque cargas d'água a noiva foi logo apontar pra mim? Num sobressalto, esqueci as trovoadas, o temporal lá fora e a igreja lotada. Respirei fundo. Busquei na memória as melhores  lembranças dos dias compartilhados com o casal. Na tarde em que se conheceram, eu estava lá. Quando me contaram do namoro, já havia tempo. Na noite do pedido, estávamos juntas quando ele apareceu. Numa mão, um violão e na outra, o anel. Lembrei-me de tudo naquele momento. Cada gesto, cada palavra. 

Finda a história, contemplei por eternos segundos o olhar emocionado da família e o carinho dos noivos direcionado a mim. Se eu me lembro da fala? Nada, nadinha. Só restou a sensação boa, de gratidão por ser meio, por emprestar  voz `aquele amor.

 

Depois disso, outras oportunidades vieram e descobri uma grata satisfação em ajudar a contar essas histórias de amor. Um convite inesperado de uma amiga para celebrar o casamento dela com o noivo divorciado me fez meditar. Dizem que as responsabilidades aumentam com o tempo. Então pensei um pouco mais e respondi: "sim, eu aceito".  Firmado o compromisso do enlace, pensei nessa coisa de viver de amor. Seria esse o tal "felizes para sempre"?  Desde então resolvi atar namorico com o novo e dei ouvidos a uma vozinha que andava me sussurrando  palavras de afeto.

 

Depois de experienciar a nova função, criei a CELEBRANDO AMOR, para ser meio e voz de lindas histórias, infinitas vezes... "Até que a morte nos separe". Nem a previsão diria que aquela tarde chuvosa na capital seria o prenúncio de novos tempos. Mais claros, calmos e significativos. Assim como um céu de tarde após a tempestade, colorido como o arco-íris. 

 

Agradeço a todos que me inspiram a ser uma pessoa melhor todos os dias.

 

A você, Edu.

Meu amor...

 

 

 

 

 

 

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